ç- Uma dúvida. Não sai da cabeça.
q- Diz.
ç- Tava lendo um texto, dizia algo sobre quando se vê um garoto sentado no chão... ou pensando ou sonhando, não importa, pois para um garoto os atos de pensar e sonhar são indiferentes. Poderia essa ser uma frase para se refletir, né, interessante, intrigante. Mas vem cá, sério que num é a mesma coisa? Se não, tenho um sério problema de pensamento, acho que só sonho.
q- Mas sonhar é quando se dorme. Pensar é no dia-a-dia.
ç- Mas e quando se diz que alguém sonha acordado?
q- É quando esse pensamento tem conteúdo fantasioso, irreal.
ç- Então quando alguém escreve um romance, um livro de ficção ou algo do tipo, é como se sonhasse e não como se pensasse?
q- Mais ou menos. Deve ser diferente. Sonho é conteúdo fantasioso que vem de maneira natural, involuntária, sem você forçar para que ele se forme. Já livros são projetos criativos que requerem tempo e dedicação, uma construção voluntária de idéias.
ç- Mas e se eu te disser, por exemplo, que penso muito em você, de maneira fantasiosa, só que não é de forma voluntária. Você estaria nos meus sonhos ou nos meus pensamentos?
q- É... não sei te dizer.
ç- Sabe? Não importa. Pensar, sonhar... São só palavras. (beija a mão) Só palavras. Só queria te dizer isso. Não precisa descrever, definir, delimitar, dar sentido ou razão. Não há necessidade de dar nome a tudo. Tem coisa que só não precisa de nome.
(Beijo no rosto. Se levanta.)
q- Achei que te intrigava. Isso.
ç- Intriga.
q- Mas você tem tanta certeza. Disso.
ç- Me intriga só eu ter pensado. Nisso.
(Anda)
Tô cansada.
Ultrapassada.
Meu choro espanta pensamentos.
Meus pensamentos afastam pessoas.
Minha saudade de coisas comuns enche minha boca de bobagens.
Mas esta é o ponto final, a porta trancada e proibida.
O que sinto está preso no que sou.
E o que sou depende do momento, do lugar e da companhia.
É essencial ser superficial.
Foge de mim a autoria do que penso e sinto.
Tudo já foi fabricado, montado, inventado e copiado.
Para ser humano há um padrão; e para não ser, existe um preço.
Uma vida não tem preço...
Por quê? É de graça?
Se pagassem pelo meu silêncio quantificariam meu valor.
Mas sou só silêncio, e eles aplaudem quem grita ideais contemporâneos;
Recém-criados e velhos demais a partir da próxima quinzena.
Eu só sussurro para meus joelhos e me molho com lágrimas de não-sinceridade.
Não grito alto para não assustar.
Eu engulo sapos e outros bichos mais, bem devagar.
Guardo o cansaço junto às decisões que tenho que tomar.
Canso só em pensar o quão ultrapassada sou
E quanta bobagem vai vir e voltar da minha boca
Até eu finalmente decidir parar de pensar.
Ela está pronta. Pra curar a Humanidade.Acha medíocre essa vontade de ser infeliz quando se pode. Ela sabe que a dor é uma sensação fisiológica. E acha normal uma humana como ela sentí-la de vez em quando. Quando toma um comprimido curativo, acha bonita essa tal farmacologia, e sente mais vontade de desmistificá-la. Pra curar a Humanidade. Não é grande coisa revoltar-se contra o mundo quando já venceu a si mesma. Era um terço de um alguém que agora resolveu ser unidade. Ela agora vai ser só ela, só,vai ser inteira,por um por enquanto indeterminado. Pra curar a Humanidade. Os excessos ela deixa guardados, por segundos ou pela vida inteira.
Não gosta de quem a põe no coração, E não acha dramático dizer que nele só existe sangue. Não, essa é a verdade! E ela gosta dessa verdade, a acha fascinante. Quando alguém um dia lhe disser "te tenho no hipotálamo" Ela vai se deixar apaixonar de novo. Pra curar a humanidade.
Esperando em você
Pensando você
Pensando, você...
esperando o quê?
Falta ar enquanto penso
De respirar, nem lembro.
Mais uma insuficiência cardíaca que virou edema pulmonar.
Mais um quase-amor que foi perdido antes de começar
Antes do pedido.
Nem era mesmo necessário, o pedido.
Era só a presença, do lado, no sonho.
A voz de riso
A dúvida do toque
O susto do toque
O nervosismo do toque
A felicidade do toque
A saudade do toque
Era viver os dias juntando assuntos para conversas
Ir ao médico e catar um roteiro interessante (ou não)
Depois reproduzir os detalhes ao telefone
Querendo viver por dois
Por um.
Quando ouvi
Cheirei
Toquei
Vi e
Senti o gosto do Não,
Dormi e sonhei com o Sim.
Acordei no pesadelo de sentir amor com os cinco sentidos.
Queria tudo de novo.
Eu faço o certo,
Depois sinto que errei.
Quero errar, ganhar em parte.
Amar é uma arte, na qual não fui Dalí.
O Revolta Involuntária ressuscitou no 42° dia
E a revoltosa decidiu mostrar a cara.
As caras...